A grande sobrecarga do amor – por Bruna Terra – Psicóloga CRP 06/127703

O amor supera tudo. Quando se ama, todas as dificuldades ficam pequenas. Quem se ama arruma um jeito de ficar junto. Amar basta. Quem tem amor, tem tudo.

Gente, vamos aliviar a barra do amor? Está pesado pra ele… É muita responsabilidade, não é justo com ele. O amor é frágil sim, e ele é apenas um elemento dos relacionamentos, um elemento importantíssimo, mas ainda assim só um elemento. McCartney e Lennon repetiram tanto “all you need is love” que a gente acabou acreditando. Vamos falar sobre isso? Amar somente não basta.

Um dos maiores aprendizados que tive com a maturidade foi sobre o amor. Foram muitos anos de criança/adolescente vendo histórias de amor, contos de fada, comédias românticas americanas e isso tudo me fez criar uma imagem completamente utópica e deturpada do amor, esse sentimento que eu ainda nem tinha sentido. Estava esperando o grande príncipe que me faria morrer de amor e que me preencheria por completo e me respeitaria e construiria ao meu lado um mundo mágico e só nosso. Mas que armadilha…

Aí a gente se apaixona pela primeira vez e vê que o buraco é mais embaixo. E aprende algumas coisinhas, aí se apaixona de novo e desconstrói outras coisinhas. E aí acaba de novo e se apaixona de novo e descobre outras novas coisas. E aquela imagem romântica do sentimento vai ficando cada vez mais apenas uma das nossas lembranças infantis… Sim, eu acreditava no amor como quem acreditava em papai noel e fada do dente.

A gente cresce achando que sem um amor romântico que termine em casamento, a vida não é completa, a vida não é feliz e a vida não faz sentido. Encontrar o “amor da vida” se torna uma prioridade enorme e existe uma cobrança pra que você não fique pra titia/titio. Já imaginou o que vão falar se você tiver X anos e ainda não tiver casado? Encalhada (o).

De novo, aliviem a barra do amor. O amor acontece algumas vezes na vida e, muitas vezes, é findo. Sim, porque é tanta influência externa e interna que o amor às vezes bate a palma da mão no tatame e diz que não pode mais continuar… E cada vez que o amor não basta, parece que o mundo desmorona e um drama quase Shakespeariano toma conta da gente: ó, céus, e agora? O que será de mim?

Amor não acaba, amor transmuta. Amor vira carinho, respeito, bem-querer ou até mesmo raiva, ódio, indiferença, nojo… E acredito que a evolução do sentimento tem muito a ver com a nossa capacidade de saber a hora de parar. Quanto mais se ignora os sinais, mais arriscado fica. Não falo de desistir, acho sim que é preciso de um esforço pra entender se o que está acontecendo é um vento forte ou um furacão devastador, mas muitas vezes o furacão já veio, estamos no olho dele e nos recusamos a enxergar que já está tudo destruído em volta.

Amar é maravilhoso e é uma tremenda sorte, aos que já amaram ou amam, sintam-se privilegiados. A gente não encontra um sentimento tão bonito desses assim, em qualquer esquina. Amores de verdade podem acabar sim, amores que acabam não são amores que não deram certo e nem são amores de mentira ou fracos. Acho que todo amor dá certo, mas não quer dizer que todos são pra sempre.

A vida e o amor são uma grande viagem de trem. A gente não tem controle nenhum sobre o destino final das pessoas que dividem o vagão com a gente. Nossa estação de embarque é a metade da viagem de alguém, a sua viagem é a mesma de outra pessoa só até certo ponto. Quando a viagem da pessoa acaba e a sua segue, isso não apaga os momentos incríveis que tiveram enquanto conviveram no mesmo vagão, as paisagens que viram, as conversas que tiveram. Às vezes, raras vezes, encontramos em uma estação uma pessoa que acaba descendo no mesmo lugar que você, é a mesma viagem, o mesmo fim, é um compartilhamento mais extenso, mas não menos bonito e forte do que dos que se encontraram apenas entre um embarque e desembarque.

Ninguém é obrigado a seguir a viagem do outro, a vida é individual. Muitas vezes pode sim ser mais divertida e gostosa em companhia… ter um ombro, um colo, um peito pra se aninhar é maravilhoso, mas não é vital. É preciso entender que nossa viagem é só nossa e que amar alguém não necessariamente significa recalcular a rota. A gente vai até onde é incrível, onde é genuíno, a gente vai até onde a viagem é uma diversão e uma experiência marcante pra gente e pro outro, a gente vai até onde as paisagens são bonitas para os dois. Estar parado na estação enquanto o outro segue viagem é confuso, não sabemos se ficamos felizes por estarmos onde deveríamos estar ou tristes por vermos que a passagem do outro o leva pra outro lugar, é agridoce mesmo. Por algum motivo somos muito pouco preparados pra sentimentos tristes… E o medo desses sentimentos nos leva a fazer coisas que violentam nossa existência e isso nunca vale a pena.

Eu entendi que forçar a barra é uma coisa muito dolorida. Não dá pra insistir num sapato que machuca, num trabalho que nos faz miserável, numa cidade que nos amedronta, numa amizade que nos suga, num penteado que nos dá dor de cabeça e num amor que não nos faz plenamente feliz.

Amar é ótimo, é lindo, é o sentimento mais incrível do mundo. Sentir borboletas no estômago é uma das sensações que mais amo na vida, mas não posso moldar toda a minha vida atrás das borboletas. Amar tem milhares de manifestações, mas insistimos que se amamos amigos, cidades, familiares, nosso trabalho, animais e não casamos, não somos completos. Se tivermos tudo, maravilha, mas se não completarmos o álbum do amor, não há motivo pra ser infeliz, algumas figurinhas são mais difíceis mesmo e isso não faz que com que a coleção fique menos gostosa de se ter.

O amor sempre faz o seu melhor. Seja bem-vindo quando quiser, mas, deixe quando tiver que ir.

Abraços Coloridos.

bruna

Bruna Terra: Psicóloga apaixonada pelo atendimento clínico e suas multifacetas. Acredito que fazendo o que nos faz sentido, nos tornamos felizes dia a dia.

CRP 06/127703

 

 

Amores Líquidos – por Bruna Terra – Psicóloga CRP 06/127703

A necessidade de liberdade acompanhada do medo da liberdade do outro. A insegurança de se entregar acompanhada pelo desejo de total entrega do outro.

A necessidade de tranquilidade – acompanhada de uma constante expectativa em relação ao outro.

Essas são apenas algumas das diversas dualidades que as atuais relações humanas contemplam. Todos esses conflitos mentais – que em sua maioria não têm reais fundamentos – geram inquietações e decepções incessantes nos relacionamentos modernos.

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Desapaixonar-se tornou-se tão fugaz quanto apaixonar-se. Afinal, são tantas as opções que os meios tecnológicos me dispõem! Enquanto eu mantenho uma conversa com aquela pessoa no whatsapp, troco mensagens pelo facebook com outra. Espero ansiosamente por uma resposta rápida, mas caso nenhuma me corresponda, ainda tenho aquela outra pessoa com quem estou trocando SMS’s…

A superficialidade das relações humanas gerou um conjunto de laços e indivíduos “descartáveis”. Se algo não está bom: descarta! Mas o que nunca vem à nossa mente é que o caçador também pode se tonar caça. Lidar com diversas pessoas descartáveis o torna, da mesma maneira, descartável.

Estas relações são reflexos da sociedade em que vivemos e não podemos anular ou ignorar este fato. Mas podemos  reavaliar nossos comportamentos e atitudes. Recuperar aspectos positivos de tempos passados não é necessário mas, redefinir valores e colocá-los em prática já é um bom começo para fortalecermos possíveis vínculos sociais.

Abraços Coloridos,

bruna

Psicóloga apaixonada pelo atendimento clínico e suas multifacetas. Acredito que fazendo o que nos faz sentido, nos tornamos felizes dia a dia.

Bruna Terra – Psicóloga

CRP 06/127703

 

A namorada do meu ex – por Bruna Terra – Psicóloga CRP 06/127703

Relacionamentos vem e vão, e é inegável que em grande parte deles, por mais que se tenha terminado, há uma certa sensação de “posse” ou mesmo de curiosidade acerca “do que ele está fazendo”, ou a curiosidade sobre ele já estar com outra, ou até…” será que sente minha falta, ou sofre por mim?”

Pois é, por esses e outros pensamentos, quando o término é traumático e envolve um sentimento de mágoa e de extrema rejeição, temos a tendência em apresentar grande dificuldade na ideia de que EX é EX e há vida além de nós, ou seja, não é porque o relacionamento entre vocês terminou, que ele ou você, nunca serão felizes com mais ninguém. Mas colocar em prática não é tão fácil assim….

Por esse motivo, elaborei algumas dicas para que você esqueça de vez o EX, a atual dele, e seja muito mais você!

RESPEITE O LUTO: Toda separação precisa ser elaborada. Se foi você quem deu o primeiro passo para o término, e está certa e tranquila com isso, tudo pode ser mais fácil. Agora, quando estamos do outro lado, ou seja, não queríamos, mas acabou! A dor é muito grande, e a vivência dessa gama de sentimentos que envolve: raiva, tristeza, sentimento de rejeição, frustração, dentre outros, deve e tem de ser vivida. É justamente quando nos permitimos sentir todas essas emoções, e as encaramos de fato, que nos tornamos mais fortes e maduras para nos refazermos dessa situação.

ELIMINE SEUS CONTATOS: Quando a decisão do término é de ambas as partes, e desgastados fazem-na de forma consciente e amigável, ótimo! Tudo fica mais tranquilo, e lidamos com mais facilidade com essa nova identidade social que não inclui o parceiro. Agora, quando a decisão foi unilateral, a chance de dor ao acompanhar o ex nas redes sociais, ou falar de vez em quando ao telefone, trocar esporádicas mensagens, etc, pode alimentar esperanças vazias e ser torturante. Portanto, procure se desconectar dele em todos os meios possíveis ( facebook, whatsapp, etc), dessa forma será mais fácil apropriar-se de sua própria vida, sem a sombra de alguém que neste momento não quer e não está com você!.

NÃO SE TORTURE: Nada de ficar relendo e-mails, conversas no whatsapp, fotos de viagens românticas e muito menos aquele cartão lindo de aniversário de namoro que você ganhou há 2 anos atrás! Esquece essa história de cheirar roupas antigas dele que ficou na sua casa, ou mesmo ligar e desligar para o EX apenas para ouvir a sua voz! Essas atitudes só a farão sofrer mais e mais, e principalmente, você estará revivendo algo que já foi, e está no passado! Bola para frente!

RETOME ATIVIDADES: Lembra do que você fazia antes da relação e que não faz mais? Se recorda de alguma coisa que você amava fazer e foi deixando de lado porque a relação não permitia, ou não sobrava tempo? Pois bem! Agora você pode e consegue retomá-la! Mesmo que haja um lado enorme seu, querendo ficar isoladinha no cantinho da cama, force-se a sair disso! Resgate essa atividade, fará muito bem para você!

REENCONTRE AMIGOS E FAMILIARES: O namoro ou o casamento a fez se afastar de alguns amigos? A rotina da relação não dava espaço para você curtir seus amigos como você gostaria? Que tal agora dar asas a isso? Ligue para aquela amiga querida que acabou se perdendo no espaço, resgate amigos da faculdade, do ex trabalho, familiares de outras cidades… Tudo isso ampliará horizontes e ocupará sua mente, além de claro, abrir “novas oportunidades…”.

EVITE FOFOCAS DO EX: Sim, claro! Sempre tem aquela amiga que mal a vê e já quer lhe confidenciar as últimas quentinhas do seu EX. E lá vai você ansiosa ouvir todo aquele falatório… Pare já! Para quê? Para se debulhar em lágrimas? Cada um segue a sua vida e pronto! Quando a amiga, a cunhada, ou quem quer que seja, tentar o telefone sem fio, dê um chega pra lá!. Pode acreditar que mais que a curiosidade é a sensação horrível de ouvir uma série de coisas, e não saber e nem poder fazer nada com aquilo.

EVITE ENCONTRÁ-LO: Pelo menos enquanto a sombra do ex ainda a perturba, procure evitar locais dos quais costumavam ir juntos,lugares em que exista grandes chances de encontra-lo, ou mesmo lembrar-se dele e da relação. Explore novos lugares, novos ambientes, essa é uma fase nova e exclusivamente sua! Fase de descobrimento e redescobertas.

ELE ESTÁ COM OUTRA: Até que você tentou, mas não conseguiu, a informação chegou até você… Ele está com outra! Assim que soube, sentiu um frio na espinha e o estomago parece ter saído pela boca! Pois é…, faz parte, se ainda não conseguiu se libertar nas memórias e sentimentos pelo ex, essas sensações podem mesmo permear a sua alma. Então, se o emocional não ajuda, apele para o racional. Fale para si mesma diversas vezes: “Não estamos mais juntos!”, “Não estamos mais juntos” e procure não buscar mais informações sobre a nova relação dele.

NÃO FAÇA COMPARAÇÕES: Faça o possível para não se comparar com a atual do ex. Não importa quem é mais gorda, mais magra, mais bonita, ou quem tem o melhor emprego. A vida é dele, vocês não estão mais juntos. Procure se ajudar, não fique procurando fotos ou mesmo informações acerca desse momento de vida do cara. Esse comportamento irá feri-la mais e mais e não a levará a lugar nenhum, apenas contribuirá para a aniquilação de sua autoestima.

NADA DE PERSEGUIÇÃO: Nem pense em seguir a moça nas redes sociais, insistir em espionar as fotos dela, as dele, e ainda espionar cada passo do casal. A profissão de detetive não é a sua, e você tem muito mais o que fazer do que isso! Aceite que a relação terminou, não insista em viver uma vida que não lhe pertence. Aproprie-se do seu universo, com toda certeza será muito mais interessante vive-lo, do que viver uma história da qual você não faz mais parte!

A FILA ANDA: O que podemos tirar de melhor quando descobrimos que o EX está com outro alguém, é que a fila anda. E se andou para nós, andará para ele também! Por isso, procure tirar proveito dessa situação e entender que se ele pode ser feliz com outra pessoa, sinal de que esse amor não era tudo isso que você pinta e que você pode sim, ser muito ou mais feliz também. Só depende de você, e de um empurrãozinho que você poderá dar à si mesma!

DÊ MOVIMENTO A SUA VIDA!: Mesmo que falte um pouco de energia, entenda que um esforcinho inicial será necessário, mas logo você passará a gostar das consequências. Busque nos amigos e familiares apoio para movimentar-se, faça exercícios, trace planos, projetos, que tal programas semanais, como jantares, encontros com amigos, e situações que a façam se divertir e desviar a atenção de um passado que não lhe pertence mais? Quanto mais a energia estiver voltada para outros focos, mais esse vínculo se enfraquecerá, e logo as novidades da atualidade e as tantas coisas que você estará envolvida, não dará espaço para dores, e sofrimento de uma relação que não existe mais.

PERMITA-SE CONHECER PESSOAS: Se não estiver preparada para um novo relacionamento, respeite isso. Mas conhecer pessoas não inclui necessariamente namoros ou casamentos. Apenas deixe as pessoas chegarem até você e também chegue até elas. Converse, dê risada, troque experiências, permita-se ser paquerada, e porque não paquerar também! Pode ter certeza que a autoestima agradecerá, e muito. Liberte-se para uma nova etapa, e vá em busca da sua felicidade, com muito mais bagagem, autoconhecimento, e principalmente consciência e experiência relacional, para o melhor aprimoramento de suas escolhas amorosas e de si mesma.

Abraços Coloridos,

bruna

Bruna Terra:  Psicóloga apaixonada pelo atendimento clínico e suas multifacetas. Acredito que fazendo o que nos faz sentido, nos tornamos felizes dia a dia.
Bruna Terra – Psicóloga CRP 06/127703