Por que está todo mundo de preto?! Como ajudar uma criança no processo do luto – por Carolina Almeida – Psicóloga CRP 05/47996.

Na coluna Cores da Infância de hoje, a psicóloga Carolina Almeida fala sobre o processo de luto infantil e dá dicas de como ajudar uma criança a enfrentar este período difícil.

Todos nós sabemos que perder um ente querido ou um animalzinho de estimação é muito doloroso, mesmo que a finitude da vida seja algo comum a todos nós se trata de uma vivência muito difícil.

Quando perdemos alguém entramos no processo do luto, esse processo pode acontecer em cinco estágios emocionais, segundo Elisabeth Kubler-Ross.

  • negação: a negação trata-se de um mecanismo de defesa com a finalidade de aliviar o impacto da notícia, mesmo sabendo o que está acontecendo não entramos em contato com o sentimento que a situação causa. Essa fase é aquela em que parecemos estar anestesiados.
  • raiva: quando já entramos em contato com o sentimento doloroso da perda é comum apresentarmos raiva, tentarmos arranjar um culpado (muitas vezes podemos pensar até que nós somos culpados), lembramos das nossas vivências e pensamos que deveríamos ter feito algo diferente.

Nessa fase é comum questionamentos como:

“Mas porque comigo? ”

“Eu deveria ter digo mais vezes que o amava, como fui estúpido! ”

  • negociação: nessa fase começamos a entrar em contato com a perda, mas para que a perda não seja real negociamos (geralmente com Deus).
  • depressão: A depressão é a fase mais delicada, entramos em contato com o fato de a perda ser irreversível, sentimos o “espaço” vazio da pessoa que perdemos e todos os significados e mudanças que essa falta trás para nossa vida. A fase da depressão é uma fase importante para o próximo passo, que é a aceitação. Pois só conseguimos elaborar e ressignificar nossas vivências quanto entramos em contato com elas.
  • aceitação: Última fase do luto. É a fase que aceitamos a perda com paz e serenidade, sem desespero, revolta ou negação. Nesta fase o espaço vazio deixado pela perda é preenchido pelas lembranças positivas e o carinho que teremos sempre por aquela pessoa ou animal de estimação.
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A criança também passa por um processo de luto.

Com as crianças não é diferente, elas também sentem muito a perda de alguém. Para elas o processo do luto pode ser até mais difícil por não terem conhecimento necessário para entender o que está acontecendo.

A criança vivencia a situação, vê o sofrimento dos adultos e mesmo que não consiga elaborar, ela percebe que algo está acontecendo e sente essa situação dolorosa.

Quando nós, adultos, ocultamos a verdade sobre o que está acontecendo ou não deixamos a criança participar, mesmo acreditando que estamos poupando-a, deixamos ela desamparada e confusa.

Ao contrário, a criança deve ter espaço para vivenciar e expressar seus sentimentos.

Devemos acolher as angústias e dúvidas da criança, buscando sempre sermos o mais honesto possível.

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Acolher a criança em suas dúvidas e angústias é o melhor caminho.

Claro, de maneira muito cuidadosa, respeitando o tempo e a condição da criança para entender o que dizemos, cada criança terá os recursos que sua idade permitir para entender essa realidade e significar essa perda, porém excluí-la do processo não é saudável e pode ser extremamente angustiante e prejudicial.

Criar fantasias ou formas muito vagas de explicar pode dificultar o entendimento. Devemos evitar dizer que a pessoa foi viajar, virou estrela ou algo nesse sentido dificulta o entendimento e o processo de luto.

Não devemos forçar sua presença nos rituais como o velório ou o sepultamento, porém dependendo da idade ela pode querer estar presente nesses momentos. É importante respeitar sua vontade, porém explicar o que são e como acontecem os rituais, ficar junto dela para que se sinta acolhida e segura, deixá-la ficar o tempo que desejar e dar espaço para que ela tire as dúvidas que tenha.

Sabemos que perder alguém é algo muito difícil para todos nós, e além de elaborarmos essa perda, é muito importante que tenhamos respeito e amor para ajudar a criança a vivenciar o luto e entender que a morte é um acontecimento natural.

Mas que podemos e devemos nos lembrar da pessoa que faleceu de maneira carinhosa com muito amor e respeito, já que cada pessoa que passa na nossa vida nos deixa sentimentos e aprendizados valiosos. Isso nunca morre e está sempre vivo em nós.

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Manter as lembranças boas da pessoa falecida.

Abraços Coloridos,

carolinadepaula

 

Carolina Almeida:  Psicóloga com especialização em Saúde da Família, apaixonada pela profissão e pelas diversas formas que a Psicologia pode contribuir para a saúde de todos nós.  Idealizadora do Pensando Psi um espaço de troca, apresentando as contribuições da Psicologia no nosso cotidiano, visando à diminuição de conflitos e a promoção de autoconhecimento.

O foco de seu trabalho são as relações familiares, como podemos construir para uma sociedade mais humana e mais saudável, investindo nas relações mais próximas: a família.
Além disso, dedica e valoriza um olhar especial para os pequenos.

Pensando que as crianças de hoje são a sociedade de amanhã!
Portanto ao investir, compreender e fortalecer as relações com nossos familiares, e principalmente com nossas crianças, contribuímos para um presente mais saudável, bem como, para um futuro melhor!

Carolina de Paula Almeida
CRP 05/47996

Contatos:

Email: carolinaalmeidapsicologa@gmail.com

Facebook: Pensando Psi- Por Carolina de Paula Almeida Psicóloga

Instagram: @pensandopsicarolinaalmeida

 

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