Colorir é Terapêutico

*por Camila Moreira

Como está o dia em sua cidade hoje?

Na cidade onde moro o céu está cinzento, em mais de 50 tons. Mas dentro de mim, o dia está colorido, do jeito que eu gosto de estar.

Estou alegre hoje! Mas… aqui dentro nem sempre foi assim.

Por isso, resolvi dividir com vocês uma experiência pessoal que tive com livros de colorir.

Essa experiência não foi quando eu era criança, onde era comum pintarmos desenhos. Também não foi há pouco tempo, quando os Livros de Colorir para Adultos viraram moda, e todo mundo saiu que nem louco atrás de lápis e livros que prometiam aliviar o estresse (e aliviavam).

Isso aconteceu na minha adolescência, mais precisamente aos 16 anos de idade, quando deixava o corpo e os hábitos de criança, para assumir um corpo e hábitos de adultos.

Nesta fase em que até o colorido é confuso. Como se pegássemos latas de tintas de todas as cores e jogássemos numa parede branca. A mistura das cores é linda, mas não se consegue distinguir o que é amarelo, do que é vermelho, do que é azul ou verde. Essa bagunça é muito boa e necessária, mas às vezes ela atrapalha. Causa angústia, tristeza, desespero e confusão. Sentir que se deve escolher, mas não saber por onde começar.

É preciso calma e coragem para organizar e voltar a viver. Foi o que aconteceu.

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Aos 16 anos passei por uma intervenção cirúrgica em que a recuperação foi lenta e dolorida. Fiquei 20 dias no hospital, antes da cirurgia, depois mais 5 dias no pós-operatório e mais alguns meses em casa para recuperação. Tudo aconteceu no último ano do Ensino Médio, onde todos os meus amigos estavam prestando vestibular e eu, num leito de hospital.

Diante disso, encontrava-me impedida de iniciar uma faculdade, aliás ainda nem havia decidido qual profissão seguir, visto que faziam meses que eu estava doente.

Após a cirurgia, passei longos e exaustivos dias em casa, me recuperando fisicamente, mas ainda doente psicologicamente. Sem saber o que fazer, sem perspectivas, sem ânimo e sem rumo.

Foi então que numa manhã, pedi para minha mãe, que é professora, comprar um caixa de lápis de cor – 36 cores, sonho de consumo de toda criança – e um livro de colorir. No mesmo dia ela me trouxe, e minha vida foi dominada pelas cores.

Assim, meus dias que estavam cinzentos e desanimados, passaram a ser mais coloridos. A medida que eu coloria os desenhos daquele livro, minha mente, meus pensamentos iam se enchendo de cor, de vida, de esperança e de alegria. Minha vida se tornava colorida outra vez.

Ao preencher os desenhos com as mais diversas cores, meu interior também era preenchido por cores e possibilidade. Aos poucos fui me reorganizando psicologicamente.

Portanto, digo e repito, colorir é terapêutico! Colorir faz um bem danado! Colorir me fez voltar a enxergar a vida por outro ângulo e aos poucos trouxe a alegria de volta.

Sabia que ainda não estava curada psicologicamente, e para isso tratei logo de procurar uma Psicóloga e iniciar meu processo psicoterápico, mas colorir me ajudou a voltar ao eixo e retomar as atividades.

No ano seguinte, iniciei os estudos na Universidade Católica de Santos no curso de Psicologia!

Desde então vivo um caso de amor com essa profissão!

Colorir é terapêutico! Experimente!

Abraços Coloridos!

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Camila Moreira: Apaixonada por cores, livros, psicologia e brigadeiro. Nas horas vagas é esposa do Cícero, “boadrasta” da Luany e mãe de sua filha canina Anitta, uma sharpei encantadora.

 

 

Camila de L. C. Moreira S. da Silva – Psicóloga – CRP 06/123888

 

 

 

Um comentário em “Colorir é Terapêutico

  1. Minha avó tem 84 anos. É pequena fisicamente, mas uma grande mulher! De vida difícil, sofrida e sem luxo algum.
    Ainda anda, com um pouco de dificuldade, tem um rosto cheio de rugas e marcas da vida.
    Também viu seu mundo ficar cinzento depois de vários golpes da vida. Perdeu um neto de 26 anos, noivo, de leucemia, em apenas 01 semana di diagnóstico. Perdeu o marido que câncer no pulmão, perdeu outro neto de 21 anos em um acidente de carro, perdeu pais e irmãos, perdeu um filho de parada cardíaca… Mas foi quando, já debilitada, sofreu uma queda que feriu sua pele já tão fina e delicada, gerando enormes feridas no peito. Se poder andar na sua dolorosa e demorada recuperação, se encontrou também nos desenhos infantis para colorir!
    Uma explosão de cores invadiu minha vó, que, toda orgulhosa, nos mostrava seus desenhos pintados (lindos!) e nós, sempre incentivando essa sua terapia, pois suas cores também estava nos contagiando!
    Hoje, superado esses desafios, ela continua nessa terapia. Cada vez mais linda e colorida!

    Curtido por 1 pessoa

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