Vida sem cor. Morte para não sentir mais dor – O suicídio.

*por Camila Moreira

Existem dias que as cores vibram dentro de nós. Em outro dias, não conseguimos enxergá-las. E então, o que acontece quando os dias cinzentos se prologam, aumentando a dificuldade de torná-los coloridos outra vez?

O que acontece quando a vida é só preto e branco?!? O que acontece quando alguém não suporta a ausência de cor e não tem forças para colorir tudo de novo?!?

São em situações como essa que, não suportando a dor, essa pessoa encontra na morte, a única possibilidade de não sentir mais dor e enxergar a cor.

Durante todo o mês de Setembro, acontece um movimento de prevenção ao suicídio. Nomeada de Setembro Amarelo, a campanha tem como objetivo conscientizar a população mundial a respeito da realidade do suicídio.

De acordo com o site oficial da campanha (www.setembroamarelo.com.br) , 32 brasileiros tiram a própria vida. Impressiona ainda mais pensar que, a cada 40 segundos uma pessoa se mata no mundo.

Diversas circunstâncias podem levar alguém a cometer o suicídio e a depressão é a maior delas. Uma pessoa com depressão grave descreve como insuportável a dor que sente. Tão insuportável a ponto dela enxergar na morte a única saída para acabar com a dor.

Por isso, precisamos estar atentos aqueles que estão ao nosso redor, familiares, amigos, vizinhos e até colegas trabalho.

Um mal silencioso, que invade os pensamentos como uma serpente sorrateira, distorce tudo, aumenta a dor e faz parecer que a vida não vale mais a pena. Precisamos tomar muito cuidado para não criticar aquele que passa por essa situação, mas estar ao lado, compreender.

A melhor forma de ajudar alguém que esteja em sofrimento, seja por depressão ou qualquer outro motivo, é: Estar ao lado sem julgar. Ouvir sem se escandalizar. Não ter medo de oferecer ajuda e suportar com o outro aquilo que for preciso para ele se levantar.

Após essa atitude, melhor ainda para ajuda-lo é incentivando-o a procurar um profissional de psiquiatria e um psicólogo.

Para finalizar, ajudar alguém que está em sofrimento psíquico, é como quando uma pessoa percebe que as paredes da sua casa estão velhas, sujas e mofadas. Ela sabe que precisa de uma reforma, de uma nova pintura, porém não tem nem a tinta, nem o rolo, nem o conhecimento muito menos a vontade de pintar. Fala ao telefone para um amigo seu sobre a situação da casa e o desespero que sente ao ver tudo aquilo precisando de uma pintura nova, ao mesmo tempo que não se vê pintando aquilo tudo sozinho.

No dia seguinte, a campainha toca e para sua surpresa, este amigo está parado à porta carregado de latas de tintas, rolos e boa vontade para ajudá-lo a pintar tudo. As latas de tintas estão cheias de cor e amor. Juntos farão a reforma dentro e fora. Colorindo tudo o que foi preto e branco.

Ajude alguém que esteja precisando pintar a vida!

Abraços coloridos!

Camila Moreira

Conhece alguém  que já tentou o suicídio? Alguma história para me contar? Deixe nos comentários!

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Camila Moreira: Apaixonada por cores, livros, psicologia e brigadeiro. Nas horas vagas é esposa do Cícero, “boadrasta” da Luany e mãe de sua filha canina Anitta, uma sharpei encantadora.

 

Camila de L. C. Moreira S. da Silva – Psicóloga – CRP 06/123888

 

Depressão: quando a vida perde o colorido

*por Camila Moreira

Após ler meus últimos textos, você pode ter se perguntado em algum momento:

– Tá parece fácil enxergar as cores, quando tudo na vida vai bem. Mas, e quando não está nada bem. É possível ver o colorido?

ou

– Lá vem ela falar de vida colorida. Minha vida não é colorida, minha vida só tem uma cor e é o cinza. Estou desanimado, triste, sem forças. Sinto uma dor, não sei bem onde ela se localiza. Só sei que dói o tempo todo e isso não me deixa enxergar cor nenhuma.

Pensando na possibilidade de frases como essas terem povoado sua mente após ler meus últimos posts foi que decidi falar sobre quando a vida está sem cor, ou quando não somos capazes de enxergá-las.

Tudo vai bem, as coisas parecem andar nos eixos, você está existindo, vivendo como sempre viveu, trabalhando, se relacionando, estudando, sorrindo muito e até se divertindo nas horas livres. Quando, de uma hora para a outra, parece que nada mais tem graça, nada faz mais sentido.

Aquela  era colorida, agora é cinza, preta e branca, como nos filmes antigos. Como se você entrasse num quarto escuro e lá ficasse, sem luz nenhuma. Com o tempo, seus olhos se acostumam com a falta de luz, e você se acostuma e até consegue enxergar os móveis, os objetos, os lençóis e qualquer coisa que esteja ali. E então fica com medo de sair.

Fica com medo, pois não enxerga mais com clareza e nitidez, uma confusão mental se instala e você já não lembra mais o caminho de volta. Não consegue mais sentir a segurança necessária para sair da cama, andar pelo quarto e quem sabe acender a luz ou abrir a porta. Os dias vão passando, o desânimo se instala, a tristeza te domina, o desespero toma conta e se torna cada vez mais difícil de sair.

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A depressão  fechou a porta do seu quarto, apagou a luz e te impediu de enxergar o colorido da vida. E, quando isso acontece, por qualquer motivo que seja, por qualquer situação que você tenha enfrentado e que a tenha desencadeado, não há o que fazer, a não ser buscar ajuda.

Quando uma pessoa encontra-se num estado depressivo, não adianta você mostrar para ela aonde estão as cores e querer que ela as enxergue, não adianta dizer que ela precisa se animar, que tem que sair do quarto, trabalhar, sair com os amigos e se alimentar. Não adianta dizer que ela tem uma vida maravilhosa, que não tem nada do que reclamar, que tem família e amigos. Nada disso adianta quando estamos falando de um estado patológico, ou seja, de uma doença.

Uma doença silenciosa, traiçoeira, que incapacita muito mais do que se possa imaginar. Uma doença de difícil diagnóstico, já que ainda não há um exame de RX, Ultrassom ou Ressonância capaz de diagnosticá-la. Uma doença que existe sim, que não é preguiça ou invenção, e precisa ser tratada.

O tratamento deve ser medicamentoso e psicoterápico. O paciente precisa ser tratado por um psiquiatra, que vai buscar o melhor antidepressivo. E ele também precisa ser tratado por um psicólogo, que por meio da psicoterapia, buscará a melhora daquilo que causa a depressão. Os dois são essenciais e complementares.

Posso dizer com toda certeza que um não vive sem o outro. O remédio não será eficaz sem que o paciente busque entender o que faz a doença permanecer e progredir. Quais situações em sua vida lhe causam angústia, tristeza e dor.

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A depressão faz você ausentar-se de si mesmo. Por isso, o reencontro, o preenchimento de si, torna-se tão difícil.

Difícil, mas possível! E a terapia poderá ajuda-lo a se tornar mais seguro e fortalecido para que levante, abra você mesmo a porta do seu quarto e volte a seguir, colorindo, você mesmo, aos poucos, pedacinho por pedacinho da sua vida, da sua história.

Abraços Coloridos!

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Camila Moreira: Apaixonada por cores, livros, psicologia e brigadeiro. Nas horas vagas é esposa do Cícero, “boadrasta” da Luany e mãe de sua filha canina Anitta, uma sharpei encantadora.

Camila de L. C. Moreira S. da Silva – Psicóloga – CRP 06/123888

Colorir é Terapêutico

*por Camila Moreira

Como está o dia em sua cidade hoje?

Na cidade onde moro o céu está cinzento, em mais de 50 tons. Mas dentro de mim, o dia está colorido, do jeito que eu gosto de estar.

Estou alegre hoje! Mas… aqui dentro nem sempre foi assim.

Por isso, resolvi dividir com vocês uma experiência pessoal que tive com livros de colorir.

Essa experiência não foi quando eu era criança, onde era comum pintarmos desenhos. Também não foi há pouco tempo, quando os Livros de Colorir para Adultos viraram moda, e todo mundo saiu que nem louco atrás de lápis e livros que prometiam aliviar o estresse (e aliviavam).

Isso aconteceu na minha adolescência, mais precisamente aos 16 anos de idade, quando deixava o corpo e os hábitos de criança, para assumir um corpo e hábitos de adultos.

Nesta fase em que até o colorido é confuso. Como se pegássemos latas de tintas de todas as cores e jogássemos numa parede branca. A mistura das cores é linda, mas não se consegue distinguir o que é amarelo, do que é vermelho, do que é azul ou verde. Essa bagunça é muito boa e necessária, mas às vezes ela atrapalha. Causa angústia, tristeza, desespero e confusão. Sentir que se deve escolher, mas não saber por onde começar.

É preciso calma e coragem para organizar e voltar a viver. Foi o que aconteceu.

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Aos 16 anos passei por uma intervenção cirúrgica em que a recuperação foi lenta e dolorida. Fiquei 20 dias no hospital, antes da cirurgia, depois mais 5 dias no pós-operatório e mais alguns meses em casa para recuperação. Tudo aconteceu no último ano do Ensino Médio, onde todos os meus amigos estavam prestando vestibular e eu, num leito de hospital.

Diante disso, encontrava-me impedida de iniciar uma faculdade, aliás ainda nem havia decidido qual profissão seguir, visto que faziam meses que eu estava doente.

Após a cirurgia, passei longos e exaustivos dias em casa, me recuperando fisicamente, mas ainda doente psicologicamente. Sem saber o que fazer, sem perspectivas, sem ânimo e sem rumo.

Foi então que numa manhã, pedi para minha mãe, que é professora, comprar um caixa de lápis de cor – 36 cores, sonho de consumo de toda criança – e um livro de colorir. No mesmo dia ela me trouxe, e minha vida foi dominada pelas cores.

Assim, meus dias que estavam cinzentos e desanimados, passaram a ser mais coloridos. A medida que eu coloria os desenhos daquele livro, minha mente, meus pensamentos iam se enchendo de cor, de vida, de esperança e de alegria. Minha vida se tornava colorida outra vez.

Ao preencher os desenhos com as mais diversas cores, meu interior também era preenchido por cores e possibilidade. Aos poucos fui me reorganizando psicologicamente.

Portanto, digo e repito, colorir é terapêutico! Colorir faz um bem danado! Colorir me fez voltar a enxergar a vida por outro ângulo e aos poucos trouxe a alegria de volta.

Sabia que ainda não estava curada psicologicamente, e para isso tratei logo de procurar uma Psicóloga e iniciar meu processo psicoterápico, mas colorir me ajudou a voltar ao eixo e retomar as atividades.

No ano seguinte, iniciei os estudos na Universidade Católica de Santos no curso de Psicologia!

Desde então vivo um caso de amor com essa profissão!

Colorir é terapêutico! Experimente!

Abraços Coloridos!

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Camila Moreira: Apaixonada por cores, livros, psicologia e brigadeiro. Nas horas vagas é esposa do Cícero, “boadrasta” da Luany e mãe de sua filha canina Anitta, uma sharpei encantadora.

 

 

Camila de L. C. Moreira S. da Silva – Psicóloga – CRP 06/123888

 

 

 

Grande Inauguração do Blog.

Olá! Seja bem vindo ao Psicolorindo!

Este é o primeiro post do blog. Portanto, um post de inauguração.

E o que acontece no dia de inauguração de uma loja, por exemplo?

Um dia de inauguração é um dia de comemoração. Então imagine um arco de bexigas bem coloridas na porta da loja, todos os funcionários sorridentes e felizes, disposto a fazer de tudo para te receber bem, uma caixa de som com músicas alegres, carrinhos de pipoca e algodão doce para as crianças, mas não só para elas, para nós adultos também, que continuamos crianças (rsrsrs). Um entre e sai de gente todas curiosas para saber o que tem na loja, o que estão oferecendo de bom, se tem promoção, se não tem. Se os produtos são bons, se tem algum brinde e assim por diante.

Pois bem! É exatamente assim que eu estou por dentro hoje, em inauguração!

Já sinto um friozinho na barriga. Agora estou abrindo as portas, o arco de bexigas coloridas já está pronto, eu sou a única funcionária e já estou na porta, ao som da música “Festa” da Ivete Sangalo, com um sorriso de orelha a orelha, esperando você entrar e conhecer o que preparei com todo o carinho!

Este espaço vem sendo pensado há anos e construído há alguns meses, mas como toda boa obra, houve alguns atrasos, alguns pequenos problemas que já foram resolvidos e que nos ajudaram a ser o que somos hoje.

Um blog Psicologicamente Colorido!

E ai vocês podem me perguntar? Tá bom Camila, essa inauguração está linda e colorida, mas o que é que eu vou ganhar com isso? O que é que esse blog vai me oferecer para que eu entre nele sempre!

Então vamos lá minha gente colorida! Quero dividir com você, neste espaço, um pouco de tudo do universo psicológico, ou seja, psicologia, poesia, arte, cinema, curiosidades, minhas histórias de divã, suas histórias, histórias que contem histórias, tudo isso com um colorido que só a vida pode nos dar.

Na aba Psicolorindo? Explico de onde surgiu a ideia do nome do blog, a união de Psicologia e o ato de colorir, como uma ferramenta capaz de nos levar a refletir qual cor quero que tenha a minha vida.

Desde pequenos somos incentivados a colorir. Começamos colorindo as paredes da casa dos nosso pais e depois vamos para as folhas de sulfites. Com os lápis de cor, criamos desenhos abstratos, depois já aprendemos a fazer desenhos mais estruturados. Uma casa, com portas e janelas. Um jardim, com árvores e flores. O céu, com o sol, nuvens e pássaros e até um monstro daqueles dos pesadelos. Os desenhos tomam formas assim como nós também vamos nos formando, nos estruturando.

Não há limites quando o assunto é colorir. A criança pode seguir os traços de um desenho, e preencher apenas o espaço de dentro, ou transbordar as linhas do contorno, colorindo por dentro e por fora.

Colorir é terapêutico.

Entretanto, o tempo vai passando, as responsabilidades aumentando. A criança se transforma em adulto e esquece como fazia para ser feliz. Deixa de colorir, não só os desenhos. Deixa de colorir a vida.

Fica tudo cinza, as vezes até preto e branco! Uma vida sem cor, uma vida sem alegria, uma vida sem graça!

E é exatamente isso que eu quero com este blog. Te ajudar a resgatar a criança que mora dentro de você. Te ajudar a buscar sua caixinha de lápis e voltar a colorir a sua vida!

Não importa se você é homem ou mulher. Hetero ou Homo. Preto ou Branco. O que importa é que você seja colorido por dentro para colorir sua vida por fora!

Começamos a pintar as paredes da casa dos nosso pais, como forma de expressão e contato com o mundo externo. Tudo isso para que no futuro, que é hoje, fossemos capaz de colorir as paredes da nossa própria casa, tanto a casa externa, quanto a casa interna, que é aquela que construímos , tijolo por tijolo, dentro de nós!

Finalizo este texto propondo-lhe um desafio: Pegue uma caixa de lápis, de giz de cera ou de tinta guache e comece colorindo uma folha de papel e depois me conte a sensação!

Vamos juntos Psicolorir!

Abraços Coloridos,

Camila Moreira

Psicóloga – CRP 06/123888.